EDU PLANCHÊZ voluntário da pátria


11/05/2009


Miles Davis é para ouvidos apurados



Miles Davis é para ouvidos apurados,
poema para olhos moles,
borboletas entrando pelas dobras da pele

Miles Davis
definitivamente não é para qualquer um
certifico-me dessa verdade transversal
ao ler nas pestanas
de minha mulher o que foi escrito
por ele e por outros mestres
apesar dela(minha mulher)
não possuir a mínima consciência disso

(edu planchêz)

Escrito por EDU PLANCHÊZ às 00h39
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04/10/2008


Escrito por EDU PLANCHÊZ às 18h41
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13/09/2008


"PRÉ-COLOMBIANA"

edu planchêz e blake rimbaud

"Atitude.com" TVE rio de janeiro

Escrito por EDU PLANCHÊZ às 13h04
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EDU PLANCHÊZ recita "FILHOS DA MORTE BURRA"

no show do "Detonautas Rock Club"

(CANECÃO, Rio de Janeiro-2008)

Escrito por EDU PLANCHÊZ às 12h30
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Limites do tempo, da vida e da morte


Queridas criaturas que com minha poesia toco,
ainda menino, ainda homem,
vos saúdos adorados pares da alta sensibilidade!
vos saúdos campanheiros e companheiras!
Sem vocês não conseguiria cruzar as rotas
do infernal planeta, do paraiso, dos bares,
das cordilheiras e das correntesas

O azul céu que ora nos cobre é o prêmio maior
por termos acreditado um no outro

Sigamos erguendo antenas e receptores
de melodias apaixonadas
aqui sempre estarei para vos receber
com todas as regalias reais

Nosso pácto de sublime amor romperá os limites
do tempo, da vida e da morte

                EDU PLANCHÊZ

Escrito por EDU PLANCHÊZ às 01h19
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PARA UMA BORBOLETA


EU sou o sexo da poesia, a poesia é meu sexo,
entro de sola nesse pensamento nada absurdo,
com porquês e sem porquês,
pouco interesado com o juízo
que se faz diante do que ainda não disse
e do que agora estou dizendo
sem nada pensar e pensando em tudo
ou em quase tudo.

Um gaiola feita de letras
prende a bela no canto direito da página do crepúsculo.

Essa dança de quintal, esse seio exposto
à sucção dos lábios pastores da noite.

Busco no intervalo das frases destampar
o tampo do crânio para que sáia
de meus meus pensamentos a imagem
de teu sexo pingando alegria
pós o banho que me falaste.

EDU PLANCHÊZ

Escrito por EDU PLANCHÊZ às 01h18
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Vera perdoa o meu sorriso amarelo


Vera perdoa o meu sorriso amarelo,
ainda forçado...
prometo pra mim mesmo, pra vc e para o planeta
sacodir das entranhas essas vozes pequenas.
N tenho explicações o porque de ter ficado assim,
distante do sol, distante das crianças,

da minha tua criança, da criança do chão e do céu .

Nós os poetas do cotidiano
apalpamos cada centímetro
desses novos dias pq temos dedos ancorados
em muitos corações,
em muitas canções, em muitas palavras,
em muitos mestres.

Amo, amei de mais, lancei-me aos turbulentos
e saborosos pratos com todas as patas...
mas a maior de todas as conquista,
compreendo ( agora) reside cá
por esse meu ventre.

Querida...  beijos


               EDU PLANCHÊZ

Escrito por EDU PLANCHÊZ às 01h15
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05/09/2008


CONSTRUTORES DE CABEÇAS

 

A natureza se vinga,
gesta o vento de cem mil pés,
arrasta duas mil cidades por segundo

 

A onda gigante come as pernas e os braços dos continentes
E aquele que apodrece o céu, o mar e a terra
clama inocência

 

Caixões feitos de dinheiro
cobrem os vastos campos
Minhas lágrimas não irão secar
junto com as nascentes

 

Tempo de desespero de planetas e homens,
o tiro saiu pela culatra,
nada tem detido a avalanche,
nem deuses, nem internautas

 

Sou poeta, homem de fé inquebrável,
cavalheiro de infinita esperança
Como Bob Dylan e outros construtores de cabeças
ergo taças de sangue
atirando dardos de coragem
aos que estão perdendo a batalha

 

O poeta príncipe de metal
acorrenta os cães
dos dentes de estricnina a sua cintura,
arranca do pâncreas das águas o tumor

 

Ele, o Rei de marfim, sustenta congressos de sóis
nos corredores do intenso
e espalha especiarias orgânicas
dizendo aos seus irmãos que façam o mesmo

 

Orquídeas imensuráveis precipitam-se
dos furos das pedras e das cavidades vermelhas
alargando pétalas sobre os corpos
das estrelas que esqueceram que são estrelas

 

(Edu Planchêz)

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A PIRA SAGRADA DAS VÍSCERAS DA POESIA DOS GIGANTES

 

Trafego com meus irmãos de letras pelo país
das desigualdades
Inicio de milênio,
no corpo de um poeta estou
para desbravar cortinas de pólvora

 

Penso nos gigantes da ilha de Páscoa,
sinto ser um deles
Se sou um dos gigantes
da Terra dos Homens Pássaros
possuo a missão de devolver aos povos
a pira sagrada das vísceras da poesia dos gigantes

 

(Edu Planchêz)

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 H A R O L D U S D C A M P U S

 

No leito da valeta funda mora a mulher cara-de-canoa
que prende o condão do clítoris nas moluscas estrelas
do vento cão

 

Há um bilhão de anos-luz-de-vela
ela partira mais de trinta filamentos
pensando na invenção da lâmpada fria

 

Falemos agora e nunca do jogo de dados
A soma do oito e meio com vinte e quatro
e do sete com o cinco
resulta no absurdo sistema que procriou a poesia
concreta

 

A colisão do meu com a tua
Em tudo
Em nada
Resulta

 

Vamos mudar de assunto!
Busquemos o ardil e a curva mais propícia para cravar
os lábios!
Nem tanta poeira assim!
É possível que essa suposta visão
se dê por conta do ângulo escolhido para a penetração

 

A cinza pena do pássaro agosto
reduz a carbono o relógio e os olhos que olham o relógio

 

Meu amigo Ladislau afirma:
O Universo paralelo que concede um centavo
É o mesmo que enterra nos vãos
Orion e a conjunção de escorpião com touro

 

Leio tal premissa nas faces do trapézio
Leio o que vou escrever pelas próximas garfadas
amado para o sempre pelo cimento e pelas amoras

 

                   (Edu Planchêz)

Escrito por EDU PLANCHÊZ às 01h20
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 22 DEZEMBRO 1995

 


Edu Planchez
Um jovem poeta de 36 anos
Absolutamente encantado com as flores
& primeiros frutos de um pé de maracujá
plantado por suas lentas mãos

 

Eu
Edu Planchez
Juro cravar as unhas do sol
no lombo dessa terra escura
Provei o vômito da loucura
sob o efeito dos amargos comprimidos
Estive no pátio do PINEL & do Sanatório da Tijuca,
e não achei nada engraçado.
Encontrei pessoas carcomidas pelas engrenagens
da ambição desmedida
E tome Aldol-Gardenal-Diazepan...
Três dias e três noites amarrado a uma cama de
triagem
Muitos ali como eu despencaram de suas camas
fissurados por eternidade,
mal orientados
( nossos mestres tinham perdido as chaves),
fomos nos afastando da realidade da vida, das pessoas,
das coisas & mergulhamos no fel do egoísmo

 

SE A FLOR DA LUZ EMERGE DA LAMA,
DE VOLTA À LAMA!

 

Hoje não mais evito as pessoas e os fatos
Se as pessoas são sujas quero me sujar com elas
Conheço teu cabelo amarelo Van Gogh
de longe e de perto
Tudo aos amigos!


 

Eu
Edu Planchez
Um jovem poeta de cinco bilhões de Kalpas
Minha coroa de lírios
Meu trono de folhas
Amo o vapor barato dos trens que nunca existiram
Onde há vaga-lumes
há desertos futuros oásis

 

Seu magno brilho
derrama-se em minha pele negrinha
Você só geme no leme dessa arte sonolenta
Você só laça os furacões escritos no arco-íris

 

Toda uma linhagem de criaturas transita aqui na
memória
Nomes e mais nomes
Irael Luziano sempre Irael
À custa dos guardiões das estrelas e
da minha própria decisão
sobrevivo às mais absurdas intempéries

 

Eu
Edu Planchez
Absorvo seu olhar bebendo chá mate
É noite, um pouco mais de zero hora
Componho esse poema para ser lido em alta voz

 

Componho-me
Edu monólito Planchêz
chamando das alturas de um poço
Pedras quentes poderiam recarregar a carne selvagem
de nosso coração nave

 

Busquei outrora o desregramento dos sentidos
Houve um alto preço por essa ousadia
Tornei-me um homem-experimento-cavalo-da-poesia
-gema-real
Por certo movo-me no corpo de um poeta
Por certo semeio lendas nas terras em que piso

 

Atiça esse fogo, meu caro amigo
chegado das pradarias de outras tantas histórias!
Marejou com o gavião maneiro de Deo Lopes
Navegou com o ímã das almas curiosas,
ao vento, aos acordes preferidos de Xangai

 

Minha mulher Marilza dorme
A cadelinha Vanderléia observa algo
Meus pés no cimento do verão do sul hemisfério
Imagens da neve de dezembro de New York
Pessoas, patins, censuras e sensores
Almas totalmente abertas no corpo a corpo,
em meio à guerra absurda e ao orvalho do homem integral

 

Meus pais dormem, meu irmão caçula e sua
companheira grávida fazem o mesmo
Escrevo esse poema bálsamo selvagem elixir para o
nosso sangue eternamente grávido
Maravilha nascer e viver numa época tão conturbada,
apinhada de demônios
Era de Mappo, campo vastíssimo, repleto de motivos
para lutar
Viva a luta! A luta travada através das canções da
Renascença do verdadeiro espírito humano

 

Meu gelo no teu gelo
Meu sol no teu sol

 

Edna Laranja e Isabel Mar de Egeu
Passando por essa Angra dos Reis
indo fundo na cidade do Rio de Janeiro
Volto aos nomes e são tantos os nomes
e são tantas as bocas beijadas e ainda por beijar

 

“Alma Corsária” filme de Carlos... 
Cinema maravilhoso de nossos novos amigos
Cristal líquido
Tecnô-chinês
nas telas atlânticas
Gotas de todos os mares pulsando agora
em mim e em você
meu amado-amada

 

(edu planchêz)

Escrito por EDU PLANCHÊZ às 01h17
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A FESTA DA COSTA LESTE
                 

 

Há tantos anos folheio "CEM ANOS DE SOLIDÃO"
e nunca chegava a coragem para devorá-lo
O tempo é chegado, as primeiras páginas...
Gabriel García Marques, um colombiano?
Nas minhas simples contas, mexicano
Como Sócrates nada sei
Possuo nada mais que algumas
noções gramaticais e...
Na verdade nunca me interessei pelos estudos
obrigatórios

 

Raul Seixas tangendo a mosca azul para a noite das
estrelas compactas (CD's, Fitas e os velhos discos)
Aposto num "pop florestal"
A vitória régia me seduz
e o neón me induz aos palcos


 

A cidade no mato
O mato prateando meus pés
Não creio que isso seja um poema
Ao mesmo tempo confesso minha majestosa vaidade

 

A música exerce um papel-fino em meu diafragma
Seguro meu pênis,
Vontade de me masturbar sem nenhuma razão
aparente
Nu sobre uma almofada em cores quadriculada
Sobrevivi a tantas chuvas-fraturas-expostas
Sobrevivi
Rock
Elvis
Pepitas sonoras se desintegram em minha cama
projeto da luz
Rock
Forte jato de almas cantoras impregnando o esquálido
teto da casa que me abriga
Rock
Mil páginas para ele

 

A consciência me chega
O que é ter uma vida voltada apenas para os prazeres?
Chamo o poema
Ouço minha voz
"HOPW!"
East Village
Parque Novo Horizonte
O Uivo mais secreto de nossas casas
A folha que se entorta na máquina
Edgar Allan Poe merece o cantar de Chico César
Eu mereço a sintonia absoluta com o centro vital do
universo

 

Deuses celestes Poetas banidos voluntariamente das
academias de araque
Esses santos são extremamente magros
e suas catedrais por demais fedorentas
Sacerdotes que abandonaram o mundo coberto de
"lama" para tentarem florir longe das pessoas impuras
(em seus julgamentos)
acabaram perdendo completamente o humanismo
Ninguém merece tal coisa

 

A única ave
que se atreve ao sol
sou eu a borboleta inesquecível

 

Brasil
País cravado na vagina da América do Sul
Esse é o meu pedaço de planeta
Tal grão
Tal grau de latitude zero
(Ouço um sax negro, é a voz noite de Louis Amstrong)

 

Brasil de meus sonhos
Aqui ejaculo meus poemas
A qual América pertenço?
Brasil meu reino absoluto
Afino-me com a África pigmentar e com os flamingos
da Índia
Um vulto moreno negro aterrissa dançando em todas
as partes dessa escrita aromática

 

Batuca um blues, meu caro condor!
Batuca uma rumba, minha sariema!
Madrepérola da madrugada alçando um vôo atonal
sobre nossos colchões de todas as Américas
Aterrisso nessa escrita com os oito passos de Sensei

 

Piano pousado no platô daquele penhasco de Pompéia
O poema rei se entope de rock
e cospe o fogo do embrião estelar
nas bocas dos pássaros que somos

 

Nosso reino, essa terra de frutas-pessoas
De coração para coração
De flor para flor

 

As flores nascidas na lama da miséria
alcançarão a magnitude de um sol (Se lutarem
convictas)
Nos garante Sensei
Em frente!
A montanha inoxidável nada representa diante da
determinação de um guerreiro iluminado
Vinde pássaros que sou pássaro,
projeto único de minha natureza profundamente
humana
A flor que enfrenta sua miséria alcança
a magnitude de trinta bilhões de sóis

 

Estômago vazio, zero centavo em algum lugar
Duas latas para mantimentos
de alumínio prateado pousadas na mesa
Um mundo gigante acima e abaixo de meus doces pés
Nada de solidão
Cobranças, cobranças e muito mais cobranças
Do pai, da mãe, da ex-mulher, dos irmãos, do atual
sogro, de mim para mim e do Estado

 

Meu pai comprou um GOL do ano
Minha atual mulher diz que tomaremos água doce para
matar a fome
Hoje estou a dar risadas da fada miséria
No calendário cristão é natal
Alimento-me de música
Sopa de música fumegando colcheias sobre os telhados
de toda a vizinhança
Música ralada enfeitando o macarrão invisível
Música roncando em meu estômago
Mastigo música
Bebo música
Peido música
Mijo música
Cago canções geniais dignas de um Mozart urbano,
urbóide, um bode, uma cabra, uma cobra, um leão, um
tiranossauro rex pra lá de gliter,
muito além do peso do mundo cético
que gentilmente me cerca
Acho que sou gênio e que a fome é linda
Nitiren diz que o que se passa nesse mundo é apenas
um milésimo do que passamos no outro
Então me mostre razão para lamentações
Eu que já cuspi sangue de demônios de todos os céus
imagináveis
cuspo música
Led Zeppelin/Rock/Reggae/Frutas/Flautas
Violões pratificados de terra sobrevoam
os móveis da sala
Diante do meu oratório Budas vindos de todas as
direções do universo
ouvem a música maravilhosa que nos embala para o
sempre

 

SJCampos/Parque Novo Horizonte
24 de dezembro de 1995

 

(Edu Planchêz)

Escrito por EDU PLANCHÊZ às 01h15
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NO ESTOURO DOS ACONTECIMENTOS?

                        (à Meire e à Bismarke)

Com 20 escorpiões caminhando sobre a língua
fui rolando por quarenta milhões de léguas
até o grande salão do templo azul e branco
que fica no sul da Índia
e ao leste de Jacaré dos Homens Bahia

 

Tudo faço para atrair as estonteantes imagens que me
fazem aos olhos das
pessoas Nijinski

 

Farol Plantado no estouro dos acontecimentos,
esse sou!
Guardião das borboletas que cavam suas tocas na pele
dos passantes, esse, sempre fui!

 

Rasgos de espelhos transpiram do que penso e
escrever para mim assemelha-se
ao fluxo refluxo do pulmão de Netuno

 

Vem que o sangue dos mestres respinga de meus
lábios
Vem que Rabin Dranath Tagore agora verte e inverte
as setas do sentir e nos
põe em sintonia com o singrar dos milhões de barcos,
aves, ovos, larvas,
pólens e néctares

 

(Edu Planchêz)
 
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O POETA É UM HOMEM PROFUNDAMENTE COMUM
 

O poeta é um homem profundamente comum. 
Incomuns são meus poemas que sempre propõem
mergulhos no inesperado. O poeta
nunca foi, e nunca será um marginal. Marginal é
aquele que nega por pura indigência cultural o poeta
que existe dentro de si. Marginal é aquele que
está entorpecido de cultura inútil e vive preocupado
exclusivamente com as aparências. Creio que tais
criaturas, por pura falta de esclarecimento, se
anulam & acabam anulando outros & outros & outros;
aí eu entro, aí entra você, entra o Mabelle, o Gustavo
Terra,o Jorge Mautner, o Eriberto Leão, o
Irael Luziano, o Jim Morrison, o Roberto Piva & o Zeca
Baleiro. Aí entra meu BUDA interior armado com o
espírito do Torquato Neto, aí eu afirmo que sou
marginal, o maior de todos os marginais & grito:
Renascença! Com as maiores letras possíveis.
A Renascença não cristalizou-se em Michelângelo
ou Miguel de Cervantes & nem tão pouco se encerrará em mim.

 

(Edu Planchêz)

Escrito por EDU PLANCHÊZ às 01h13
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 PARA A PEQUENA GRANDE MARILZA MORRER NASCER


 

“É preciso que abramos clareiras no matagal que esconde o nosso passado”

 

     O suco do milho roxo mexicano caminha
no éter das naves vistas por Ezequiel...
      rabisca os céus de todo o continente...
circulando pelas espirais fantasmas... 
      para em minha caneca de ágata ser a bebida...
para nos tonéis das indagações provocar tragédias intransitivas...

 

“É preciso que abramos clareiras no matagal que esconde o nosso passado”

 

      Fantasma Deus dos buracos,
eu te destroço decantando suas vísceras vazias
      Eu sou a resposta
Abaixo venham todos os totens erguidos para nos subjugar
      Ovelha aqui, é o meu lanche

 

“É preciso que abramos clareiras no matagal que esconde o nosso passado”

 

     O espaço de um poema é minuto para revelar a dimensão estrondosa
das mentiras acatadas como verdades
     Perguntar ao fígado quem inventou o conceito
de um ser onipresente que manipula os viventes:
     metralhar esse assassino com chuvas histéricas 

 

“É preciso que abramos clareiras no matagal que esconde o nosso passado”

 

     Possuir nada mais que um bilhão e meio de grandiosos livros
            entranhados na cachola
     respeitando o vizinho e o “chamado selvagem”

 

(Edu Planchêz)

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 NOS ARMÁRIOS DO ROCK GUARDO TODOS OS NOSSOS PERTENCES
                                 (ao amigo Sideral)

 

Nos armários do Rock guardo todos os nossos pertences:
a mola, o prego e a cachaça, a lona, o lodo e as engrenagens
do somar subtrair

 

Meu amigo(a),
a transa do trem eu não te falei porque antes de ir ao teu encontro
comi toda aquela coleção de imagens,
saiba que nelas estávamos em completa nudez,
sempre jovens,
dispostos a derrubar o muro

 

Lembro-me de algo, de alguém vagando pela Palestina,
(mas nessa existência nunca lá estive)
para um poeta brasileiro estar na Palestina tocando guitarra
diante de jovens dançando sobre a linha divisória das nações...
é o Nirvana

 

Se morasse em Diamantina usava os fios da alfazema 
para cozer a roupa que usaríamos naquele concerto
A música do festival das luzes da Índia subiram
conosco os montes,
Mariana e Jandira levaram os cestos dos amores

 

Um mundo pleno é desenhado por nós,
viventes debruçados nos beirais do Vesúvio
trançando com as contas do universo o colar e a pulseira

 

(Edu Planchêz)

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 A COMILANÇA DESMEDIDA POVOA A CASA DE MEU PAI
                                (à Cláudio Monteiro Alvarado)

 

Enquanto a comilança desmedida povoa a casa de meu pai
possuo apenas três favas de tamarindo
para engabelar o ronco do esôfago

 

No Rio de Janeiro chove
A pobreza material é uma mula
trotando seus cascos partidos em meu quarto de grandezas
Armado de versos sólidos, espada e escudo, pronto estou
para aniquilar na raiz das existências esse flagelo quadrúpede

 

As vezes sou paspalho
ao ponto de esquecer por duas vezes seguidas os documentos
dentro de um ônibus
(isso aconteceu por esses últimos dias)
Felizmente o final foi alegre

 

(agora)
Monto no cavalo de Duque de Caxias,
olho para a Central do Brasil e para os que por lá circulam,
viro a cabeça, em minha frente a avenida Presidente Vargas,
a Praça 11 e a fronte metálica de Zumbi dos Palmares

 

A vida gigante prova o vermelho e o lilás
porque a noite que tenho transcorre leve e úmida
Houve relâmpagos partindo miolos e ovos
Répteis e idéias nasceram
A morte esteve na avenida Francisco Bicalho
e na comunidade da Rocinha
(quem leu os jornais de outubro de 2005 sabe do que estou falando)

 

( O presidente dos Estados Unidos estará na cúpula das Américas
Aqui é o Território Calunga
O território da Argentina será um palco de protestos
E o Brasil ficará sob a mira de nossos olhos questionadores
(já que o tal estadista por aqui também aportará )

 

Esse não é um poema datado,
sua calda estende-se sobre o arco do tempo manifesto
e toca nos ancestrais e nos vindouros
Ele (o poema) é um circulo em movimento
que ora peneira os peixes, que ora peneira os homens

 

Uso a chave de fenda para desatar as pétalas da flor
de nossa amizade e a solda que bloqueia a chegada do amor
A criatividade infinda é minuciosa,
povoa apenas os que abrem as comportas
para os habitantes da delicadeza

 

O mundo explode diante do pino de meu nariz
(A Lei que Nitiren meu ensinou me torna um homem inabalável
livre de qualquer temor )
O pó da poesia cobre os telhados das casas que habito,
em breve cobrirá todos os zincos

 

             (Edu Planchêz)

Escrito por EDU PLANCHÊZ às 01h11
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O RIO DE JANEIRO NÃO É NEW YORK
                       (à Vitor Trope)


 

Bem sei que o Rio de Janeiro não é New York
Vivo no Brasil escrevo e canto em português
Bob Dylan apesar de ser do interior
estava no Estados Unidos e falava Inglês,
sendo assim suas “possibilidades mundiais”
teoricamente foram maiores que as minhas 

 

Não vejo limites nesse terremoto,
o poder da arte é imprevisível
Determinado a cruzar as cores dos continentes,
não medirei trabalho e fé para isso alcançar
Aqui estou para mudar a história,
levar aos povos um novo amanhecer repleto de poesia
e guloseimas 

 

Nada de vestir carrancas de messias
Simplesmente imprimir nas caras, figuras medievais
capazes de rescrever de trás para a frente, de frente para trás
o que meu coração de gigante inventa
 

                  (Edu Planchêz)

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 PARA NO INTERIOR DE SUA BOCA GERAR UMA NOVA NEBULOSA
                                (à Edna Médici )


 

A ebulição da matéria pensada iniciou-se
bem antes do nascer de Franz Kafka 
Estava eu na gema do ovo desenhado
por Dali no mapa cônico do país dos galos da rosa dos ventos

 

Estava eu nos anelos da serpente de ouro baço
aguardando a nave que trouxe a Internet para a Terra
pousar sobre as linhas brancas do Pão de Açúcar 

 

Eis a matéria pensada entrando nos corredores dos dentes
da mulher que representa todas as mulheres 
para no interior de sua boca gerar uma infanta nebulosa
 

 

                (Edu Planchêz)

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 MESMO VIVENDO NUM NINHO DE RATAZANAS NÃO PERCO O FUTURO
                                                                          ( à Neto Nemer)

 

1- Geograficamente essa cidade não existe ( ainda)
Eduplanchezlândia é uma cidade marítima do interior
Nela você encontrará um bode atômico batendo tambor
para os pássaros magnéticos montarem seus edifícios 

 

2- Mesmo vivendo num ninho de ratazanas não perco o futuro

 

3- O topázio imperial de tão verde inverte as polaridades
da Terra do meu pensamento para o deus africano
compor seus redemoinhos

 

4- Mesmo sem possuir um único centavo não perco a majestade

 

5- Meu gênio se une ao gênio de outros gênios para entornar
o verniz das árvores sobre as mãos dos que escrevem

 

6- Na escuridão dos sentidos desce o pano de estrelas

 

7- O toque dos atabaques anuncia a partida da canoa 
repleta de rosas esmeraldas
Na escuridão dos sentidos desce o pano de estrelas

 

8- Marilza negra de terra prende caracóis de vento
nas ladeiras do corpo
ouvindo a canção dos cavalos marinhos em posição de feto
Meu amor dorme numa folha de sol
          

(edu planchêz)

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 A GUITARRA
 
                         ( à Danilo Lima e à Ícaro Odin)

A Guitarra,
(esse monstro de três mil braços )
traça pelos montes, mares e vales silhuetas de elétricos distúrbios
Foda-se se os tímpanos do rei peidam 
assim que os escorpiões de suas cordas assumem a destruição
do sério

 

A Guitarra,
( essa lesma coberta de enxofre)
vomita milhões de sistemas sobre o peito dos rios
Nossas mães e irmãs poderão copular com o mandarim do rock
sem precisar matar ninguém

 

A Guitarra,
( essa águia dourada cingida de magma vulcânico )
ela é a espada e o cadeceu dos novos magos do cotidiano
Diria que antes da roda, da TV e da Internet,
a guitarra é o maior de todos os inventos

 

(Edu Planchêz)

Escrito por EDU PLANCHÊZ às 01h09
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O CARTÓGRAFO
                     ( à Godot Quincas)


13h05m
de segunda-feira,
as coisas do rádio ricocheteiam cá pela casa dos ratos de telhado
Comerei o agrião que a contista Rosa Kapila me ofertou
para refrescar um pouco a fome

 

13h10m
O rabo da antena do meu vizinho apontada para o janelão
que ilumina minha cama...
não sei porque descrevo a geografia das coisas,
mas sei que possuo um mar del prata salgando os ombros

 

18h15m
O frasco vazio da colônia Nick Rauen
(deixado com intenso carinho por minha hidramada Marilza)
é tão lindo, é assim porque teve o toque vítreo
dessa que me acompanha há mais de uma década  

 

18h26m
Da cadeira que me abriga ao ângulo esquerdo da parede
creio contar uns dois metros de saudade

 

13h05m... 13h10m... 18h15m... 18h26m...
Horas cortadas, minutos intercalados,
anos grampeando lascas de bambu no coques dos livros...
Tempo nenhum diante do que ainda não vivi

 

(Edu Planchêz)


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  O PAU DURO CONTEMPLANDO O GRELO ENCARNADO
É UM RELÂMPAGO DEVASTADOR
      (A porta se abre com a fúria do sopro sinfônico)  

               (à Maria Pintora Frida de São Luís )


 

Os casais adoecem de tanto brigar, inglória atitude,
impotência, morbidez injusta, cegueira, falta de tesão, pica inútil,
xereca vazia, caralho que nunca vê o sol,
buceta arreganhada para nada

 

Minha poesia adora ver a porra encandecente transbordar
o canal da vagina, o útero, o ventre, a boca, o anus
e escorrer sem parar pelas coxas gargantas 
até o sul da criança rubi 

 

Foder até a foda se tornar um livro de histórias
Foder até o fim das guerras idiotas

 

O pau duro contemplando o grelo encarnado
é um relâmpago devastador

 

Pablo Picaso dorme nu sobre a sombra das tintas
de suas mulheres toreadas
A lança que não fura o boi atravessa as bolhas
que se formam nas camadas tênues
da geométrica vontade

 

Rei e Rainhas brincando de brincar
diante da porta do templo da gestação

 

A porta se abre com a fúria do sopro sinfônico
A porta se abre para espalhar o pigmento 
do fascínio ensurdecedor  

 

(Edu Planchêz)

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 DIANTE DO FURACÃO QUE CRIAMOS O MUNDO É MENOR
QUE UMA CABEÇA DE ALFINETE CORTADA PELA METADE


 

Meu verbo soterra o pássaro fedorento do velho
Já não há dicionário para esses monstros dormirem
Que a carapuça do saci sonolento seja desatarraxada
da tua cabeça parafuso sem rosca

 

Meu verbo arreganha as mãos para pegar teu samba estilhaçado  
para no mistério da noite carioca arrombar as ruas,
ir até o mar de todos os manjares...
para viver nos versos de Ana Cristina Cesar
sem esboçar nenhum arrependimento

 

Diante do furacão que criamos o mundo é menor
que uma cabeça de alfinete cortada pela metade

 

O verbo que sai da minha bolota vermelha transcreve
inúmeras vezes o que as tradições orais nos legaram
para no centro do verão maior torcer o eixo
da luz que você me lança
até a água das nossas andanças tornar-se mineral

 

(Edu Planchêz)

Escrito por EDU PLANCHÊZ às 01h06
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 A CAMA DOS PÁSSAROS MERGULHADORES


 

Sentados(eu e meu filho)no beiral Ipanema do continente,
simples marines sem fardas observando o mundo das espumas se espatifar
sobre o reinado verde marrom dos mariscos

 

Deitados nos nervos do sol
guardado pelas pedras(eu e meu menino)
passageiros da filosofia
descobrindo a alegria de comer (com areia)
pão francês agraciado pelo queijo minas

 

Nem havia sol 49° para nos fundir
mesmo assim reluzimos os guizos de nossos corpos
tomando do mar o horizonte e as ilhotas
que penso serem a cama
dos pássaros mergulhadores

 

jan 2005- Rio
        
(edu planchêz)


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 O LIVRO                                    

 

  "Os beijos das estrelas chovem sobre seu corpo".
            ( Aleister Crowley)
                               (Ao meu irmão Marco Antônio)


 

Os fios que cobrem o tecido do braço são feitos de perfumes
Creia que o meu e seu corpo hospedam bilhões de florestas

 

A confiança nos levara ao trono dos pássaros
e você poderá dizer
que o meu e o seu cabelo servem de ninhos
para os celestiais depositarem os ovos

 

Apesar das ruas andarem turvas,
trafega com vossas luzes por cada rosto
Os que conhecem o espírito do frio
poderão encaixar o sol nos furos do vento
e nas cavidades do olhar

 

Encontra no gato um antigo irmão
e no cachorro a voz de nossas mães

 

Filhos e filhas da Grã-Sonata! Reais minérios, a liga,
ponte que nos ata ao dom delirante dos caramujos
Dizer que o galo vermelho anda solto na voz da mulher de negro,
é afirmar aquilo que os lábios de Raul Seixas espalhou
por nossos braços e costelas

 

                  maio 2004


 

(Edu Planchêz)

Escrito por EDU PLANCHÊZ às 01h03
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