PARA A PEQUENA GRANDE MARILZA MORRER NASCER
“É preciso que abramos clareiras no matagal que esconde o nosso passado”
O suco do milho roxo mexicano caminha
no éter das naves vistas por Ezequiel...
rabisca os céus de todo o continente...
circulando pelas espirais fantasmas...
para em minha caneca de ágata ser a bebida...
para nos tonéis das indagações provocar tragédias intransitivas...
“É preciso que abramos clareiras no matagal que esconde o nosso passado”
Fantasma Deus dos buracos,
eu te destroço decantando suas vísceras vazias
Eu sou a resposta
Abaixo venham todos os totens erguidos para nos subjugar
Ovelha aqui, é o meu lanche
“É preciso que abramos clareiras no matagal que esconde o nosso passado”
O espaço de um poema é minuto para revelar a dimensão estrondosa
das mentiras acatadas como verdades
Perguntar ao fígado quem inventou o conceito
de um ser onipresente que manipula os viventes:
metralhar esse assassino com chuvas histéricas
“É preciso que abramos clareiras no matagal que esconde o nosso passado”
Possuir nada mais que um bilhão e meio de grandiosos livros
entranhados na cachola
respeitando o vizinho e o “chamado selvagem”
(Edu Planchêz)
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NOS ARMÁRIOS DO ROCK GUARDO TODOS OS NOSSOS PERTENCES
(ao amigo Sideral)
Nos armários do Rock guardo todos os nossos pertences:
a mola, o prego e a cachaça, a lona, o lodo e as engrenagens
do somar subtrair
Meu amigo(a),
a transa do trem eu não te falei porque antes de ir ao teu encontro
comi toda aquela coleção de imagens,
saiba que nelas estávamos em completa nudez,
sempre jovens,
dispostos a derrubar o muro
Lembro-me de algo, de alguém vagando pela Palestina,
(mas nessa existência nunca lá estive)
para um poeta brasileiro estar na Palestina tocando guitarra
diante de jovens dançando sobre a linha divisória das nações...
é o Nirvana
Se morasse em Diamantina usava os fios da alfazema
para cozer a roupa que usaríamos naquele concerto
A música do festival das luzes da Índia subiram
conosco os montes,
Mariana e Jandira levaram os cestos dos amores
Um mundo pleno é desenhado por nós,
viventes debruçados nos beirais do Vesúvio
trançando com as contas do universo o colar e a pulseira
(Edu Planchêz)
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A COMILANÇA DESMEDIDA POVOA A CASA DE MEU PAI
(à Cláudio Monteiro Alvarado)
Enquanto a comilança desmedida povoa a casa de meu pai
possuo apenas três favas de tamarindo
para engabelar o ronco do esôfago
No Rio de Janeiro chove
A pobreza material é uma mula
trotando seus cascos partidos em meu quarto de grandezas
Armado de versos sólidos, espada e escudo, pronto estou
para aniquilar na raiz das existências esse flagelo quadrúpede
As vezes sou paspalho
ao ponto de esquecer por duas vezes seguidas os documentos
dentro de um ônibus
(isso aconteceu por esses últimos dias)
Felizmente o final foi alegre
(agora)
Monto no cavalo de Duque de Caxias,
olho para a Central do Brasil e para os que por lá circulam,
viro a cabeça, em minha frente a avenida Presidente Vargas,
a Praça 11 e a fronte metálica de Zumbi dos Palmares
A vida gigante prova o vermelho e o lilás
porque a noite que tenho transcorre leve e úmida
Houve relâmpagos partindo miolos e ovos
Répteis e idéias nasceram
A morte esteve na avenida Francisco Bicalho
e na comunidade da Rocinha
(quem leu os jornais de outubro de 2005 sabe do que estou falando)
( O presidente dos Estados Unidos estará na cúpula das Américas
Aqui é o Território Calunga
O território da Argentina será um palco de protestos
E o Brasil ficará sob a mira de nossos olhos questionadores
(já que o tal estadista por aqui também aportará )
Esse não é um poema datado,
sua calda estende-se sobre o arco do tempo manifesto
e toca nos ancestrais e nos vindouros
Ele (o poema) é um circulo em movimento
que ora peneira os peixes, que ora peneira os homens
Uso a chave de fenda para desatar as pétalas da flor
de nossa amizade e a solda que bloqueia a chegada do amor
A criatividade infinda é minuciosa,
povoa apenas os que abrem as comportas
para os habitantes da delicadeza
O mundo explode diante do pino de meu nariz
(A Lei que Nitiren meu ensinou me torna um homem inabalável
livre de qualquer temor )
O pó da poesia cobre os telhados das casas que habito,
em breve cobrirá todos os zincos
(Edu Planchêz)